Varejo do esporte movimenta R$ 14,8 bi

Celia Moreira, Diário do comércio


O comércio de material esportivo movimentou, no ano passado, R$ 14,8
bilhões, nas 5.500 lojas especializadas e mais 5 mil pontos-de-venda do
Brasil, que registraram um crescimento de 18% sobre 2001, em razão da
Copa do Mundo. A informação é de René Djekeim, presidente da Associação
Brasileira das Lojas de Materiais Esportivos (Abraleme) , que estima um
crescimento de 11% para o varejo em 2003, “em função da mudança de
governo, que trará impulso para a prática esportiva e aumentará o
consumo de produtos do setor”.

Djekeim também é diretor da Comercial Zona Livre , a maior empresa
atacadista de material esportivo do país, que tem cerca de quatro mil
clientes ativos e abastece mais de quatro mil municípios brasileiros,
com cerca de 300 mil peças ao ano. Em 2002, a receita do setor de
esportes, incluídos indústria e comércio atacadista, atingiu R$ 42
bilhões.

Fábio Anauate, proprietário da BR Esportes , empresa especializada de
consultoria que também funciona como uma central de compras para seus 23
associados, diz que, para abrir uma loja, o pequeno varejista precisa de
R$ 30 mil. Ele diz que, embora exista espaço no mercado para novas
lojas, “só sobrevive quem entra no negócio capitalizado”. Segundo ele,
no Brasil, 98% das lojas são pequenas e, por esta razão, encontram
dificuldades diárias nos pontos-de-vendas. Por isso, a sua empresa
procura criar melhores condições de competitividade para quem não
consegue se manter sozinho no mercado.

Ele afirma que, com o novo governo, a situação do segmento deve
melhorar, “pois, com investimentos em quadras e academias, também será
ativado o consumo de artigos esportivos”.

Anauate conta que quando a BR Esportes iniciou o seu trabalho, em
dezembro de 2001, tinha apenas 3 lojas associadas, que aumentaram para 6
em março e, a partir daí, este número cresceu, “até chegarmos, em
dezembro de 2002, a um total de 23 lojas”. Ele relata que, com o
associativismo, as lojas menores conseguem descontos de até 20% em suas
compras, pois, com volume maior de pedidos, os preços dos fabricantes
caem.

Ainda segundo Anauate, a BR foi criada porque o setor precisava ser
revitalizado. “Muitas lojas se encontravam em dificuldades e, sozinhas,
não iam conseguir sobreviver. Por nosso intermédio, os interessados no
negócio esportivo passaram a ter uma noção mais precisa de quanto
precisam para entrar no negócio, o que precisam ter na loja, além de
como deve ser o layout do ponto-de-venda e a exposição das mercadorias.”


Um dos beneficiados pela associação com a BR é Ressier De Luca Rothem,
proprietário de duas lojas de material esportivo, a Mega Esporte , uma
com 100 metros quadrados e a outra com 200 metros quadrados, no Centro
da cidade. Apesar de estar no mercado há 25 anos, as suas condições para
manutenção das lojas melhoraram sensivelmente depois da associação.
“Vejo agora que, antes da associação tinha muitas dificuldades para a
reposição das mercadorias, por causa dos preços dos fornecedores. Agora,
passo a minha lista para a BR, que se encarrega de fazer as compras com
descontos e, ainda, posso parcelar os pagamentos, em até 60 dias”,
afirma Rothem.

Ele diz que o que mais vende na loja são os itens voltados ao futebol,
como bolas, chuteiras e uniformes de times. “A lucratividade das lojas
já foi melhor, mas como aumentou a concorrência, ela diminuiu. Porém
vender material esportivo ainda é um bom negócio.”

René Djekeim, presidente da Abraleme, diz que nas lojas de material
esportivo 50% das vendas são de calçados, 20% de bolas, 18% de
confecções e 12% de acessórios, representados por bolas de tênis e
raquetes. O futebol responde por 30% das vendas totais.