Escolinha dá retorno aos times de futebol

Carolina Mandl, De São Paulo - Jornal Valor Econômico

Ensino Com licenças, clubes conseguem eliminar peneiras, vender produtos e
ganhar receita e torcedores.

Mesmo em apuros financeiros, um segmento do futebol brasileiro marca pontos:
as escolinhas de futebol para crianças e adolescentes. Em forma de franquia
ou licenciamento, as bandeiras dos principais clubes estão cada vez mais
presentes nas quadras.

A São Paulo Futebol Center, por exemplo, já virou artigo de exportação e vem
conquistando a Ásia. Depois de abrir escolas na Coréia do Sul e na
Tailândia, a idéia agora é atrair investidores na China e no Japão.

"Os asiáticos têm grande admiração pelo futebol brasileiro", diz José
Roberto Calicchio, coordenador das escolas do São Paulo. Tão logo uma
unidade é aberta no exterior, um técnico brasileiro é enviado para treinar
as crianças do país, daí o atrativo do clube. Ao mesmo tempo, o clube ganha
a oportunidade de vender produtos licenciados aos novos torcedores.

E o Fluminense, para não ficar atrás dos outros times, também acaba de
transformar a marca em licença para escolas de esportes, que, além de
futebol, poderão ensinar outras modalidades. O Estado do Rio de Janeiro já
foi dividido em 53 zonas, que poderão ser exploradas por master-licenciados,
pessoas autorizadas a abrir as escolas e que podem se associar a terceiros.

Os objetivos dos clubes com as escolinhas são diversos. Desde a arrecadação
de fundos - bem-vindos em tempos em que o futebol brasileiro está no
vermelho - ao aumento do número de torcedores. Em 2002, o São Paulo faturou
R$ 700 mil com suas 30 escolinhas. Isso porque sobre cada mensalidade, os
clubes cobram uma taxa que varia de 6% a 20%.

Outro ponto que pesa muito na decisão de um clube em se transformar em
escola é a seleção de craques. Em vez de organizar enormes peneiras com
desconhecidos jovens, os próprios treinadores já ficam atentos aos seus
talentos e fazem a seleção dentro de seus campos. "Acabamos com as peneiras.
Hoje, cada escola é um olho nosso", diz Wilson Santoro, gerente de franquia
do Corinthians. Agora, o menino que sonhar em ser um craque do Corinthians
terá de obrigatoriamente se inscrever na escola do clube.

Com o objetivo de aumentar o número de torcedores, os times também não se
importam em abrir escolas fora de seus Estados. Luiz Carlos Lopes, diretor
da Unitá, empresa de franquia do Flamengo, conta que a unidade de maior
sucesso no país dentre 55 é a de Florianópolis (SC).

Considerada a maior torcida do país segundo pesquisa "Placar"/Datafolha, o
Flamengo possui campos de ensino até na Grande São Paulo, em São Bernardo do
Campo, e na vizinha da capital, Santos. O renome do clube também permitiu a
abertura de uma unidade em Manaus (AM).

Mas, apesar da popularidade dos clubes, abrir uma escolinha pode não ser o
melhor negócio para todos os empreendedores. "Indico para profissionais com
o desejo de contribuir com a educação da criança no aspecto esportivo. Não é
recomendado para quem quer ter lucro com o negócio", afirma João Bermudo, da
Academia Palmeiras.

Essas franquias ou licenças são mais recomendadas para pessoas que já
possuem quadras para aluguel, por exemplo. Durante o dia, período em que os
campos ficam ociosos, o espaço é usado para as aulas. Nos clubes consultados
pelo Valor, o faturamento médio das escolas vai de R$ 3,5 mil a R$ 7 mil.

Informações: Corinthians: (11) 6942-9633; Flamengo: (21) 2529-0230;
Fluminense: (21) 2586-6089; Palmeiras: (11) 5063-0174; São Paulo: (11)
3749-8018