Nike não quer Corinthians 'popular'?

 

Quarta-feira, 18 de dezembro de 2002 - Jornal da Tarde
JOSÉ EDUARDO SAVÓIA

Nike não quer Corinthians 'popular'?


A fornecedora de material esportivo do clube não gostaria de associar marca à Columbus, fábrica de móveis populares que negocia patrocínio


A Columbus, fabricante de móveis populares, está próxima de se tornar o patrocinador oficial da camisa do Corinthians. A proposta da empresa seduziu o presidente Alberto Dualib, mas esbarra em um sério problema: a Nike. De acordo com uma fonte que acompanha as negociações, a empresa norte-americana de material esportivo - que oficializou anteontem a parceria com o Corinthians - não gostaria de associar o nome ao de uma empresa voltada para o consumidor de baixa renda e sem o mesmo 'glamour' da Nike.
Quando os executivos da Nike negociaram a parceria com o Corinthians, ficou estabelecido em contrato que a empresa norte-americana teria poder de veto em relação ao futuro patrocinador na camisa do clube. O grande problema para o Corinthians é que a proposta da Columbus é muito boa financeiramente: R$ 7 milhões por ano - bem mais do que a Pepsi vinha pagando para associar sua marca ao clube.
O presidente Alberto Dualib está tentando contornar a situação pessoalmente com a Nike. Se conseguir, a parceria com a Columbus deve ser anunciada no começo de janeiro.
Além da Columbus, outra empresa brasileira que vende móveis populares, a Marabrás, disputa o patrocínio da camisa corintiana. Não se sabe ainda se a Nike faria restrições a essa marca. No Parque São Jorge, porém, é dado como certo o acordo com a Columbus.
Quanto à Pepsi, que estampa a sua marca na camisa do clube há dois anos, não deve se desligar totalmente do Corinthians. Por contrato, a multinacional norte-americana de refrigerantes teria a preferência de continuar patrocinando a camisa do clube, mas não se interessou em cobrir os R$ 7 milhões oferecidos pela Columbus. A partir do ano que vem, a marca Pepsi deve aparecer só nas mangas da camisa.
Nenhum membro da cúpula do Corinthians aceitou falar sobre as negociações. O vice-presidente financeiro, Carlos Roberto Mello, justificou o silêncio em torno do assunto. "Não dá para falar nada ainda. Estamos negociando.
Qualquer coisa que venha a vazar é um transtorno para a gente que vocês não imaginam. Não podemos abrir absolutamente nada enquanto os negócios não estiverem fechados. É assim que funciona."
O dirigente reclamou que a diretoria do Corinthians ficou em situação delicada quando o JT revelou, há três semanas, que uma comitiva do Corinthians havia feito uma visita à sede brasileira da Nike, em Alphaville.
"Essa notícia nos rendeu um problemão", disse Carlos Roberto Mello. "Não podemos prejudicar a Topper e a Pepsi porque tudo ainda está em fase de fechamento. Além disso, as pessoas pensam que as informações partem daqui de dentro, o que não é verdade."
Pelos mesmos motivos, o dirigente não quis sequer confirmar se as negociações são mesmo com a Columbus e a Marabrás.