Agnelo quer nova dimensão ao Esporte


Estadão - 24/12/2002
Lu Aiko Otta

Agnelo quer nova dimensão ao Esporte

O novo ministro quer atuar para moralizar o futebol, buscar novas fontes de
financiamento e usar o esporte como instrumento de inclusão social dos
jovens.

Brasília - O Ministério dos Esportes, que será criado pelo presidente
eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, vai atuar em três grandes linhas:
moralização do futebol, busca de novas fontes de financiamento e o uso do
esporte como instrumento de inclusão social dos jovens. Foi o que anunciou
nesta segunda-feira o futuro ministro, Agnelo Queiroz (PC do B), logo após
confirmado no cargo.

Corintiano fanático e apaixonado por esportes, Lula prometeu participar
pessoalmente nas ações do novo ministério. Segundo Agnelo, o presidente
eleito quer ver o Brasil sediando grandes eventos internacionais, como os
Jogos Olímpicos e a Copa, não só para o País fazer justiça ao seu papel de
referência no esporte mundial mas também pelo retorno econômico. Os
preparativos para os Jogos Panamericanos de 2007, no Rio de Janeiro, estão
entre as prioridades do Ministério dos Esportes.

O ministro disse que pretende dar seqüência ao trabalho iniciado pelo
governo Fernando Henrique Cardoso, de obrigar os clubes a garantir os
direitos dos torcedores como consumidores. "Vamos dar atenção especial ao
futebol, dado nosso enorme potencial", comentou. A idéia é não só avançar
na moralização dos clubes como também dar a eles condições de buscar seu
fortalecimento econômico, com recursos privados.

O novo governo pretende dar uma nova dimensão social ao esporte. "Já está
cientificamente provado que o combate à criminalidade e à violência se faz
com combate ao ócio", comentou Agnelo. Ele disse que Lula fixou como
prioridade oferecer atividades esportivas, associadas a outros programas
sociais, aos 32 milhões de jovens de zero a 17 anos que estão abaixo da
linha de pobreza. Para isso, o presidente o teria orientado a melhorar as
instalações esportivas nas escolas.

"Essa é uma questão fundamental e não faltarão recursos para isso",
assegurou. Ele acredita que o investimento feito nos jovens atletas terá
repercussões já nos Jogos Panamericanos de 2007, o que credenciará o Brasil
a entrar na briga para sediar os Jogos Olímpicos.

O orçamento do novo ministério, porém, é magro. Em 2002, estavam previstos
R$ 370 milhões, dos quais foram liberados apenas R$ 70 milhões. Para 2003,
a previsão é de R$ 352 milhões. Esse valor, porém, não está a salvo de
cortes. A área econômica do novo governo já avisou que o ano que vem terá
um orçamento apertado.

No entanto, o novo ministro já está pensando em fontes alternativas para
engordar seu caixa. Ele quer criar um incentivo fiscal para atrair doações
de empresas. Hoje, a área cultural já conta com essa fonte de recursos, por
meio da Lei Rouanet. Os empresários podem abater do Imposto de Renda seus
investimentos em cultura. Agnelo quer uma "Lei Rouanet dos esportes".

Recursos - Uma outra idéia para obter recursos é transferir os bingos para
a Caixa Econômica Federal e utilizar 9% do dinheiro arrecadado para
financiar os esportes. "Hoje existe um vácuo legislativo com relação aos
bingos", disse. "Podemos moralizá-los e pegar uma porcentagem para o
ministério." Agnelo conhece bem essa questão do financiamento ao esporte. É
de sua autoria a lei que destina 2% das receitas das loterias para esportes
olímpicos e paraolímpicos. Ele é também autor do projeto de lei que cria a
bolsa-atleta, que ainda está em tramitação no Congresso. Agnelo é deputado
federal eleito pelo DF e, nos últimos oito anos, foi membro da Comissão de
Educação,Cultura e Desporto da Câmara. Com sua ida ao governo, assume sua
vaga no Legislativo o economista Wasny de Roure, do PT do DF.