Um fenômeno capaz de vender qualquer coisa


Terça-feira, 17 de dezembro de 2002 - Jornal da Tarde


Um fenômeno capaz de vender qualquer coisa


Tudo o que está associado ao nome ou à imagem de Ronaldinho vende como água no mundo inteiro, principalmente na Ásia


Os catedráticos do futebol têm em Ronaldinho um fenômeno com a bola nos pés. Os analistas do mercado têm no jogador um fenômeno de marketing. Não é um exagero. Números sobram para comprovar a evidência. A média de gols do atacante é inferior apenas à de Pelé. Nike (material esportivo), Pirelli (pneumáticos), TIM (telefonia), Sony (eletrônicos) e AmBev (bebidas) pagaram caro para ter a marca Ronaldo nos seus produtos e contabilizam lucros fabulosos.
O alemão Heinrich von Pierer, presidente da Siemens - multinacional alemã de telefonia celular -, não desmente os homens de marketing. A Siemens tem sua logomarca na camisa do Real Madrid desde setembro, quando Ronaldinho chegou ao clube espanhol.
"Este acordo com o Real Madrid foi uma idéia excelente. Está ajudando a dar uma imagem nova da empresa no mundo todo", disse Pierer, que ressaltou também o bom desempenho da Siemens no Brasil.
Ele esfrega as mãos de felicidade ao se debruçar nos números que chegam da Ásia. No Japão, o executivo alemão mira a renda per capita média que alcança US$ 32 mil. Por lá, Ronaldinho é um campeão de vendas.
A Nike já tinha essa informação há mais tempo. Não por acaso tem contrato com o Fenômeno até 2007.
"Não é um acordo vitalício, mas depois de 2007 a empresa tem prioridade para renovar por mais dez anos e mais dez anos...", conta Ingo Ostrovsky, diretor de comunicação da Nike Brasil.
Balanço da empresa, até outubro, mostra que os produtos R9 (grife de Ronaldinho) tiveram um excelente desempenho de vendas na temporada. A Nike não divulga os números mas entre os dez países que mais consumiram as peças, seis são asiáticos: Japão, Coréia do Sul, Hong Kong, Malásia, Singapura e Tailândia. Os outros: Itália, Áustria, México e Suécia.
"O Japão foi disparado o que mais vendeu, seis vezes mais do que o segundo lugar", revela Ostrovsky. "Os produtos mais vendidos foram os artigos de vestuário, principalmente as camisetas, bolas de futebol R9 e chuteiras juvenis. O pico de vendas foi entre maio e julho, período da Copa do Mundo."
Ostrovsky disse que a Nike nunca pensou em rescindir o contrato com Ronaldinho, nem mesmo nos dois anos em que o jogador ficou sem jogar futebol.
"O Ronaldo é um atleta que se encaixa muito bem no perfil da empresa. Posso assegurar também que a Nike não encomendou nenhuma pesquisa sobre o jogador."
A revista dominical do El País, jornal mais importante da Espanha, divulgou na sua edição de 17/11/2002 uma informação interessante. "Segundo pesquisa da Nike, Ronaldo é a terceira pessoa mais conhecida do mundo depois do Papa João Paulo II e do presidente dos Estados Unidos, George Bush."
Real está de olho no Japão
O presidente do Real Madrid, o megaempresário Florentino Pérez, não tinha conhecimento dessa pesquisa. Pérez, porém, sabia perfeitamente onde estava investindo 45 milhões de euros quando tirou Ronaldinho da Inter de Milão, no final de agosto.
"Pode haver muitos jogadores que marcam 25 gols por temporada, mas apenas um deles dá retorno financeiro. Este jogador é Ronaldo", disse o presidente do Real.
Pérez é um homem de negócios, tem conhecimento de causa. De setembro até meados de novembro foram vendidas 200 mil camisas número 11 com o nome de Ronaldinho nas costas - 77 euros cada uma - um recorde histórico no clube espanhol.
Outro dado que o dirigente do Real não esconde: o Japão tem 40 milhões de admiradores do futebol. Em cima desse número, o clube trabalha para abocanhar 10% de telespectadores do sistema pay-per-view com a transmissão dos jogos do Real Madrid. "Com os jogos do Real no sistema pay-per-view no Japão, vamos faturar em um dia o que na Espanha nos leva um ano", calcula um assessor de Pérez.