Na F-1, mudanças não surpreendem

28/10/2002 - O Estado de São Paulo
Na F-1, mudanças não surpreendem

A recusa dos representantes das equipes em aceitar as mudanças radicais sugeridas por Max Mosley e Bernie Ecclestone não surpreendeu a maioria dos profissionais da Fórmula 1.

São Paulo - A recusa dos representantes das equipes em aceitar as mudanças radicais sugeridas por Max Mosley e Bernie Ecclestone não surpreendeu a maioria dos profissionais da Fórmula 1. "Eu nunca acreditei nelas", disse hoje Felipe Massa, que correu este ano pela Sauber, enquanto se preparava para treinar para as 500 Milhas de Kart da Granja Viana, em Cotia. "As pessoas não falavam sobre essa mudanças com seriedade na Fórmula 1."

Já Nelson Piquet, três vezes campeão do mundo, comentou que a permissão para a Michelin desenvolver pneus para a Williams e a McLaren, em separado, como fez a Bridgestone com a Ferrari este ano, pode diminuir a diferença de desempenho dos italianos para as duas. "Fez todo sentido." Piquet gostou também da nova forma de definição do grid. "Interessante." Mas há quem esperava muito mais da Comissão de Fórmula 1, como Emerson Fittipaldi, campeão em 1972 e 1974. "Achei que as mudanças seriam bem maiores. Elas não devem alterar muito o atual quadro da Fórmula 1."

Como Massa, o curitibano Enrique Bernoldi, ex-piloto da Arrows nesta temporada, comentou que aguardava mesmo a manutenção do regulamento técnico. Mas elogiou bastante as mudanças no sistema de pontuação e na disputa da classificação. "Competi por um time pequeno e sei das dificuldadades, para não dizer impossibilidade, de marcar um ponto. Agora as chances serão maiores, o que é imprescindível para elas." O piloto será privilegiado com apenas uma volta lançada na tomada de tempo. "Vamos ver quem é bom mesmo." A questão dos pneus Bernoldi disse ter sentido na pela. "A Bridgestone fazia os pneus específicos para a Ferrari, muito eficientes, mas os mesmos pneus no nosso carros não podiam mesmo funcionar."

Para o especialista em marketing esportivo, José Carlos Brunoro, o simples fato de a direção da Fórmula 1 ter alterado pontos do regulamento que há muito os times médios e pequenos defendiam representa "um grande avanço." Ele comentou: "O fato abre a perspectiva de novas discussões para outras mudanças em 2004." Brunoro acredita que o lastro seria benéfico para a competição, assim como o tempo no grid definido pela média dos tempos nas duas sessões de classificação.

Livio Oricchio

FIA altera pontuação e classificação na F-1 para 2003

Treinos também deverão ser limitados a dez por ano, e GP da Bélgica está fora da temporada

Lancepress!

Ficaram só no papel as ameaças da FIA em alterar radicalmente as regras da F-1 para melhorar a competitividade da categoria em 2003. A entidade anunciou nesta segunda-feira, entre outras mudanças, alterações no sistema de pontuação e de formação dos grids de largada. Confira:

- Pontuação: agora, os oito primeiros colocados em cada GP receberão pontos, da seguinte forma: 10, 8, 6, 5, 4, 3, 2, 1.

- Ordes de equipes proibidas: a intenção é evitar novas marmeladas como a ocorrida na Áustria neste ano, que mancharam a credibilidade da F-1

- Classificação: os treinos que definem os grids continuam no sábado, mas agora cada piloto fará sua tomada de tempo isoladamente. O piloto irá para a pista, fará uma volta de aquecimento, uma volta rápida e em seguida terá de voltar aos boxes. A ordem com que os pilotos irão à pista será definida pelos tempos no treino de sexta-feira.

- O GP da Bélgica está fora da temporada de 2003, devido a proibição às propagandas de cigarro que entrarão em vigor no país a partir de 1º de janeiro. Com isto, a temporada terá 16 corridas.

Além disto, a entidade poderá limitar em dez dias por ano os testes a partir de 2003, a fim de conter os custos. Para compensar, os treinos de sexta-feira anteriores aos GPs teriam duas horas a mais de duração. No entanto, esta medida só será homologada se a maioria das equipes assinarem concordando.