Nike perto de acordo com Corinthians

Nike perto de acordo com Corinthians


Quarta-feira, 11 de setembro de 2002, WagnerVilaron


São Paulo - O namoro já dura mais de um ano. Masfinalmente a empresa
americana de material esportivo Nike está em condiçãode formalizar sua
oferta para se tornar a próximafornecedora/patrocinadora do Corinthians.
Representantes da marca aguardam apenas o encerramentodas conversas entre o
clube e a Hicks, Muse, Tate and Furst (HMTF), quetratam o rompimento da
parceria, denominado por ambas as partes como"desacordo".
A Agência Estado apurou que o anúncio sobre o fim docasamento, previsto na
assinatura do contrato, em 1999, para durar 20 anos,deve ser feito na
próxima semana. É o primeiro passo para que anegociação entre a diretoria
corintiana e pessoas ligadas à Nike se tornemoficiais. Além do fornecimento
de material de jogo e treino (camisas, meias, calções,bolas e chuteiras) e
de uma cota mensal em dinheiro - superior aos cerca deR$ 2 milhões pagos
pela Topper -, a empresa se comprometeria a ajudar oclube a atenuar uma das
maiores frustrações dos dirigentes e torcedores: aincapacidade de explorar
internacionalmente o título do Primeiro CampeonatoMundial Interclubes da
Fifa, conquistado em 2000. Uma placa gigantesca fixadana fachada do Parque
São Jorge, o troféu e a estrela acima do distintivosão os únicos resquícios
da conquista inédita. Desacordo - As negociações a respeito do fim da
parceria entre Corinthians e
HMTF estão sendo conduzidas por advogados. "Tudo issoestá envolvendo muitos
detalhes, o que torna o assunto muito complexo",afirmou uma pessoa que
acompanha de perto o desenrolar das conversas. Talcomplexidade vem da forma
como os americanos se envolveram na administração dofutebol corintiano.
Além do investimento inicial no projeto e aquisição doterreno para
construção do tão sonhado estádio (que já comprometeuaproximadamente US$ 30
milhões, US$ 9 milhões dos quais apenas com oprojeto), ainda há
participação no passe de atletas e contratos depatrocínio, como o da
Topper, que termina em dezembro.
Por isso, a dificuldade em admitir a negociação com aNike. "O que acontece
é o seguinte: quem estava cuidando dessas conversascom a Nike era o pessoal
ligado à Hicks. Com o fim da parceria, só agora oclube passa a assumir essa
parte", explicou um dos responsáveis pelo clube. "Eleva um tempo para que
todos se interem a respeito de tudo o que estáacontecendo, do pé em que
está cada uma dessas negociações."
Aborrecido - Quem não está nada satisfeito com essahistória são os
profissionais da Topper. A atual empresa fornecedorado Corinthians já foi
criticada publicamente pelo vice-presidente deFutebol, Antônio Roque
Citadini, que se mostrou insatisfeito com a capacidadede distribuição da
marca. Segundo o dirigente, já houve episódios detorcedores, sobretudo no
interior, reclamarem por não encontrar camisasoficiais em sua cidades.
Diante desse cenário e do fraco poder aquisitivo damaioria dos torcedores
brasileiros, pelo menos duas exigências foram feitasnas reuniões que tratam
do novo contrato. A primeira é que a nova fornecedoragaranta a distribuição
adequada do material, o que auxiliaria até mesmo aaumentar a receita do
clube. A segunda trata da existência, obrigatória, deuma linha popular. Ou
seja, além da confecção do uniforme idêntico aoutilizado pelos jogadores,
haverá outra linha, também oficial, porém produzidacom materiais mais
simples, tornando-a mais barata e acessível.