Ação organizada deu vitória ao Rio

Domingo, 25 de agosto de 2002 - Agência Estado

Rio de Janeiro - Os dois principais fatores da vitória do Rio de Janeiro sobre a cidade texana San Antonio, na briga pela realização dos Jogos Pan-Americanos de 2007, foram o arrojado e sólido projeto de candidatura e o trabalho de bastidores promovido pelo governo do País e o Comitê Olímpico Brasileiro (COB).

Pela primeira vez, o Brasil entrou em uma disputa bem estruturado e agora, o desafio é o de realizar todas as obras previstas no dossiê de campanha, já que do total de US$ 177.983.430,00 prometidos, US$ 81.068.000,00 serão destinados a investimentos em instalações esportivas. A carência do Rio em ginásios e complexos aquáticos, por exemplo, era apontada como o ponto frágil da candidatura, já que 16 instalações esportivas precisarão sofrer obras de adaptação e outras seis serão construídas (quatro em caráter permanente). A previsão é a de que as reformas ocorram a partir de 2004.

Para compensar a falta de estrutura, a solução encontrada foi a de concentrar o maior número de competições em um só local. O bairro escolhido foi a Barra da Tijuca, na zona oeste. O autódromo internacional Nelson Piquet, em Jacarepaguá, bairro vizinho a Barra da Tijuca, vai ser o principal complexo esportivo do Pan, por ser a sede de algumas das principais disputas. O local vai ganhar uma arena para o atletismo, um velódromo, um ginásio poliesportivo para o basquete e ginástica rítmica, além de um complexo aquático para a natação e o nado sincronizado.

Já o Centro de Convenções do RioCentro, na Barra da Tijuca, vai sofrer adaptações para as competições de judô, boxe, badminton, esgrima, levantamento de peso, lutas (livre e greco-romana), taekwondo e tênis de mesa. O local usado para a realização do festival Rock In Rio vai abrigar o beisebol, softbol e tiro com arco.

Alguns outros locais da Barra vão ser a sede de poucas disputas, por causa de sua especificidade, como o Fazenda Clube Marapendi, onde ficará o tênis, e o Centro de Futebol Zico (CFZ), com futebol e hóquei de grama. Ainda na zona oeste, haverá outros pontos de competições, como a Vila Militar, escolhida para os eventos hípicos e de tiro (pistola, rifle, skeet e fossa); o moderno complexo Miécimo da Silva, em Campo Grande, com handebol e a ginástica artística. Além dos estádios de Moça Bonita, em Bangu, e Ítalo Del Cima, em Campo Grande, com o futebol.

Fora da zona oeste, o Maracanã será o palco da abertura, encerramento e do futebol. O vôlei, no Maracanãzinho; Pólo Aquático e Saltos Ornamentais, no Parque Aquático Júlio DeLamare; e o pentatlo moderno, na Vila Militar, todos no Centro.

Na zona sul, a praia de Copacabana, será o palco do vôlei de praia e o triathlon; e o estádio de remo da Lago, da canoagem e do remo. Já a vela ficará na Baía de Guanabara. A canoagem e o ciclismo de montanha são as duas únicas modalidades que foram programadas para fora da cidade do Rio: Macaé, interior do estado, e o parque Nacional de Itatiaia, na região serrana, respectivamente.

A Vila Pan-Americana também foi projetada na Barra da Tijuca. Ela terá capacidade para 8.064 pessoas, distribuídas por 4.032 quartos em 48 prédios de sete andares. Todas as entradas serão vigiadas 24h por dia (item do plano de segurança que será elaborado especialmente para os Jogos) e em suas instalações serão disponibilizados escritórios, policlínica, depósito, centros de recepção, ginástica, entretenimento, templo ecumênico, restaurante e uma prefeitura para o local.

Ao término do Pan-Americano, a Vila será comercializada. A expectativa é a de que o retorno alcance um valor entre R$ 30 e R$ 90 milhões.

Lobby - A ação dos dirigentes brasileiros nos bastidores foi fundamental para o sucesso da candidatura. Em uma rara parceria harmônica, os governos Federal, Estadual e Municipal apoiaram o projeto sem restrições. Um dos atos que mais sensibilizaram os avaliadores do Rio foi um encontro com o presidente Fernando Herique Cardoso. Mesmo sem estar agendado, FHC abriu uma exceção e recebeu os dirigentes, em 24 de junho, durante sua estada na cidade carioca para participar de um Seminário Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável.

As três instâncias governamentais vão destinar uma verba de US$ 128.603.430,00 para o Pan-Americano de 2007. Do governo Federal são US$ 43.478.433,00 (24,43% do custo total dos Jogos); do Estadual, US$ 9.845.060,00 (5,53%); e do Municipal, US$ 75.279.937,00 (42,30%).

Na busca pelos votos dos eleitores, o COB não titubeou em oferecer uma série de vantagens para os eleitores. Dentre elas, 75 uniformes para cada delegação, 7.500 passagens aéreas integrais para atletas e oficiais, quatro ingressos diários da respectiva modalidade para cada atleta, visto de entrada gratuito para os participantes, plano de assistência médica para os participantes, congressos de negócios e marketing e distribuição do sinal de TV com imagens especificas da competição de atletas de cada país.

A principal novidade foi a de realizar, pela primeira vez, os Jogos Párapan-Americanos, destinados a deficientes físicos. Outras sugestões do COB foram a de que o futsal, boliche, beach handebol, esqui aquático, golfe, karatê e patinação artística, modalidades que lutam pelo recohecimento olímpico, sejam incluídos no roteiro das disputas cariocas.

Michel Castellar

Rio será a sede do Pan de 2007

Agência Estado

Cidade do México - O Rio será a sede dos Jogos Pan-Americanos de 2007. A escolha foi feita, neste sábado, na assembléia geral da Organização Desportiva Pan-Americana e a cidade brasileira derrotou a norte-americana San Antonio por 30 a 21, em votação secreta. Logo após a assembléia, na Cidade do México, foi assinado entre o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e a Odepa contrato ratificando o que está na proposta brasileira – a organização dos Jogos vai custar US$ 178 milhões. O contrato também estabelece a cessão dos direitos de televisão e comercialização dos Jogos para os organizadores. O Brasil sediou um Pan-Americano há 40 anos, o de São Paulo, em 1963. Os Estados Unidos foram a sede dos Jogos de 1959, em Chicago, e de 1987, em Indianápolis.

O anúncio da vitória do Rio foi feito pelo presidente da Odepa, o mexicano Mario Vázquez Raña. O presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, que foi o maior ‘lobista’ da candidatura carioca, classificou a escolha como a maior vitória do esporte olímpico brasileiro. Atribuiu o sucesso a uma parceria feita entre todas as esferas do governo brasileiro com o COB. “O projeto do Rio era realmente melhor tecnicamente além de representar o fortalecimento do esporte em toda América Latina e Central. Agora é iniciar o trabalho para fazer uma bela edição dos Jogos Pan-Americanos em 2007”, comemorou Nuzman.

Costas quentes - San Antonio, que fica no Texas – o berço eleitoral do presidente dos Estados Unidos George W. Bush – foi a primeira a fazer a exposição de sua candidatura na assembléia, trazendo como garoto-propaganda o pivô David Robinson, dos Spurs, da NBA, que disse que ter participado “de uma Olimpíada, de um Mundial e de um Pan-Americano”, experiências inesquecíveis em sua carreira. O governador do Texas, Rick Perry, também defendeu a candidatura, observando, inclusive, que ela tinha o apoio do presidente Bush.

Bossa Nova - Na apresentação feita pelo Comitê Organizador da Candidatura da Cidade do Rio, os delegados da Odepa viram um vídeo com mensagem de apoio do presidente Fernando Henrique Cardoso e dos quatro principais candidatos à presidência. Com a música Garota de Ipanema, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes como trilha sonora e um painel fotográfico da Baía de Guanabara como cenário, falaram, na apresentação, o prefeito do Rio, César Maia, o ministro de Esporte e Turismo, Caio Carvalho, o diretor de relações internacionais da candidatura, Carlos Roberto Osório, e o presidente do COB.

Em defesa do Rio, Nuzman apresentou vários argumentos, dentre eles o fato de a cidade ter um laboratório, que é credenciado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) para fazer exames antidoping (o Ladetc), e assegurou que a negociação com a tevê será administrada diretamente pelo COB, e não por empresas, o que garantirá que as imagens dos Jogos cheguem aos países que queiram ver os seus esportistas em ação.

Um dos argumentos que mais agradou aos delegados da Odepa é o fato de o Rio, mesmo sendo uma cidade grande, concentrar 63% das praças esportivas em uma área com um raio de 10 quilômetros, na zona oeste. Os Jogos exigem 23 instalações esportivas – 16 estão construídas, mas vão precisar de adaptações e melhorias. Serão construídas outras cinco praças permanentes – Estádio Pan-Americano de Atletismo, Parque Aquático (natação e nado sincronizado), ginásio poliesportivo (basquete e GRD), velódromo (ciclismo de pista), todos no Autódromo de Jacarepaguá, e a pista de Canoagem Slalom, na Quinta da Boa Vista. O vôlei de praia e o triatlo serão em instalações provisórias, na Praia de Copacabana.

Reformas - As instalações que terão de passar por adaptações são as do Riocentro (badminton, boxe, esgrima, judô, levantamento de peso, lutas, taekwondô e tênis de mesa), Cidade do Rock (beisebol, softbol e tiro com arco), Clube Marapendi (tênis), Centro de Futebol Zico (futebol e hóquei na grama), Vila Militar (hipismo e tiro), Miécimo da Silva (ginástica artística e handebol), Estádio do Maracanã (futebol e cerimônias de abertura e encerramento), Estádios Moça Bonita e Ítalo Del Cima (futebol), Parque Municipal do Mendanha (mountain bike), Maracanãzinho (vôlei), Parque Aquático Júlio Delamare (pólo aquático e saltos ornamentais), Colégio Militar (pentatlo moderno), Estádio de Remo da Lagoa (remo e canoagem), PoloRio Cine e Vídeo (Centro de Imprensa e TV).

A Vila Pan-Americana, com capacidade para hospedar até 8.064 pessoas, será construída em terreno ao lado da Cidade do Rock, com 48 prédios de sete andares – 1344 apartamentos e 4032 quartos.