Para a TV, o Mundial dos recordes


Quarta-feira, 29 de maio de 2002- O Estado de São Paulo

Para a TV, o Mundial dos recordes
Mas a audiência estimada de 13,5 milhões de pessoas esbarra no horário dos jogos e nos canais pagos

YOKOHAMA - Como acontece a cada quatro anos, a TV se prepara para levar aos quatro cantos do mundo o acontecimento esportivo que mais atenção desperta no planeta. Desta vez, estima-se que 13,5 milhões de pessoas, um recorde, acompanharão a Copa do Mundo da Coréia e Japão. Os sinais serão enviados para 196 países e 19 territórios, 15 a mais do que na Copa da França, em 1998. Serão mil horas de cobertura, cinco vezes mais do que no Mundial de 98 e as 300 empresas responsáveis pela emissão dos sinais representam mais que o dobro do torneio anterior, com 140.

Este será o primeiro Mundial digitalizado, o que permitirá o uso de um aparato técnico nunca visto. Duzentas câmaras estarão envolvidas na transmissão do evento. A final do dia 30, em Yokohama, será mostrada por 23 câmaras. "Esta é, provavelmente, a maior operação de distribuição e produção até hoje e temos certeza de haver excedido nossos objetivos, apesar dos problemas que atingiram a indústria do marketing esportivo", declarou o diretor-executivo de Marketing da Fifa, Dominik Schmid.

As previsões otimistas da Fifa e de seu sócio na comercialização dos direitos de TV do Mundial, KirchSport, do grupo alemão Kirch, se chocam com a realidade dos espectadores de otras latitudes, que terão problemas adicionais para acompanhar o torneio. Em primeiro lugar, o horário desistimulará audiência, principalmente na América Latina. Com jogos de madrugada, só os mais fanáticos parecem estar dispostos a trocar as horas de sono pelo futebol. E isso nas partidas principais, pois já se pode imaginar a audiência, por exemplo, de um Bélgica x Tunísia.

Outro fator de irritação - que, em alguns casos, provocou intervenção governamental - é a presença, cada vez maior da TV a cabo, que deixa à margem do espetáculo quem não pode pagar por ela. Os colombianos, por exemplo, não verão as partidas em TV aberta, enquanto argentinos e espanhóis só terão acesso gratuito aos jogos de suas seleções e a alguns outros, considerados mais importantes. É uma estratégia arriscada da TV paga, cujos resultados serão conhecidos em breve. (DPA)