Ana Moser leva vôlei para a favela

Ana Moser leva vôlei para a favela

A quadra da Rua Coronel Silva Castro, no meio da favela Heliópolis, no Ipiranga, em São Paulo, será inaugurada nesta quarta-feira.


São Paulo - A quadra da Rua Coronel Silva Castro, no meio da favela Heliópolis, no Ipiranga, em São Paulo, será inaugurada nesta quarta-feira - ali funcionará um núcleo do Centro Rexona de Excelência do Vôlei, administrado pela ex-jogadora Ana Moser, estrela do grupo que abriu para a seleção brasileira o caminho internacional do pódio. Ana cuida do Instituto Esporte e Educação, ONG que criou para difundir o vôlei entre as crianças. Na quadra de Heliópolis, 200 crianças, de 7 a 14 anos, aprenderão a jogar vôlei.

Do projeto podem surgir talentos para o esporte, outras Anas Mosers. Mas o principal objetivo é educacional. "O vôlei sempre esteve distante da realidade das crianças de baixa renda. Como o vôlei é um esporte coletivo, de interdependência entre as pessoas, tem grande valor pedagógico. O projeto visa a inserir na sociedade quem está à margem, dando ao esporte caráter pedagógico", diz Ana Moser, de 33 anos, que parou de jogar há dois anos e meio.

O núcleo de Heliópolis, terceiro no Estado de São Paulo (os outros são em Indaiatuba e Vinhedo, enquanto o Paraná já tem 22) é o primeiro que vai atender uma comunidade de favela, com 95 mil habitantes, distribuídos em dez núcleos, numa área de 1 milhão de metros quadrados - 49% da população tem entre 0 e 22 anos, com renda média de um a três salários mínimos.

Ana Moser trabalhou com cinco crianças de Heliópolis, preparando-as para "jogar" nesta quarta-feira, na inauguração da quadra - a Unilever investiu R$ 400 mil na construção da quadra e na reforma das instalações do Espaço Gente Jovem Heliópolis. Conseguir patrocínio da iniciativa privada para um projeto social não é fácil. "Era um sonho direcionar o trabalho para o esporte como instrumento de educação", explica Sueli Barbosa Santos, coordenadora do projeto no núcleo.

A pouca intimidade com o vôlei fica evidente quando as crianças começam a bater bola. "Mesmo as meninas só conhecem futebol. Vai ser bom oferecer outro esporte", afirma a educadora Sandra de Paula, que trabalha com 135 crianças no Espaço Gente Jovem, dedicado ao reforço escolar e atividades educacionais. Sandra aposta no sucesso do vôlei - chegou a amarrar uma rede em uma quadra improvisada. "As crianças gostaram. Quem sabia as regras ensinava aos outros."

Entre as crianças "treinadas" para jogar na inauguração da quadra está Gislene Fernandez da Silva, de 11 anos. "Estou adorando o vôlei", afirma a mais velha de seis irmãos, aluna da quinta série do ensino regular, que vai freqüentar o núcleo.

Heleni Felippe