Blatter renova seu mandato na Fifa por mais quatro anos

Blatter renova seu mandato na Fifa por mais quatro anos
Esportes


(Por Pablo San Román/AFP) - Joseph Blatter renovou seu mandato de quatro anos à frente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), ao derrotar "por goleada", esta quarta-feira no congresso da entidade em Seul o aspirante à presidência, o camaronês Issa Hayatou, logo na primeira votação. Blatter recebeu 139 votos das 197 federações que exerceram seu direito na primeira consulta (embora tenham sido 195 os votos válidos), quando eram necessários dois terços para a vitória. Assim, nem precisou recorrer à segunda votação, para a qual é exigida simplesmente a maioria absoluta. "O mundo do futebol não é mentiroso", disse Blatter em espanhol, após ser anunciado seu triunfo. "Muito obrigado. Não podem imaginar o que isto significa para mim depois de ter estado durante meses acusado por certa imprensa, que insistia em que eu era um vilão".

"Trabalhemos juntos e esqueçamos o que passou. Temos de restaurar a união e isto vai restaurar nossa credibilidade. Recebi a mensagem para devolver a paz a esta família e o farei. Vamos à Copa do Mundo", exclamou feliz. Blatter elogiou o perdedor, Hayatou: "Comportou-se como um cavalheiro e pode honrar seu continente". Por sua vez, o camaronês elogiou as palavras de Blatter: "Felicito o sr. Blatter por esta votação apaixonada e apaixonante. Pode contar com minha colaboração, como no passado". A grande beneficiada por esta vitória de Blatter foi a Confederação Sul-americana de Futebol, que poderá manter suas quatro vagas e "meia" (a quinta será decidida em uma repescagem com a Oceania) para o próximo Mundial, já que Hayatou, presidente da Confederação Africana de Futebol (CAF), havia incluído em seu programa a redução das vagas sul-americanas para três.

O presidente da Conmebol, o paraguaio Nicolás Leoz, comentou: "Aconteceu o que queríamos e foi mais difícil depois de uma campanha de difamação. Buscavam por todos os meios desestabilizá-lo. Não tem que mda r, que continue sendo assim". Com esta vitória, Blatter derrotou pela segunda vez a dupla composta por Hayatou e o presidente da todo poderosa União Européia de Futebol (Uefa), o sueco Lennart Johansson, que apoiou o candidato africano.

Há quatro anos, no congresso de Paris, quando Blatter assumiu pela primeira vez seu cargo, derrotouç Johansson, que naquela ocasião era apoiado por Hayatou, que não conseguiu união entre os jpaíses africanos para a candidatura do sueco. Quatro anos depois, a história se repete. A falta de união dos países africanos, a imagem da Líbia, que anunciou publicamente sua intenção de votar em Blatter, e jprincipalmente dos europeus, comoç França, Espanha, Itália e Alemanha, quatro das cinco potências futebolísticas do continente, apoiando Blatter, propiciaram a reeleição do suíço.

Somente as federações britânica e escandinavas votaram em bloco no presidente de sua confederação no continente europeu. Blatter contou ainda com um forte apoio entre os países árabes e os asiáticos em geral, os do Leste europeu e teve a unanimidade do continente americano, tanto entre os filiados da Concacaf como os da Conmebol. Os projetos de desenvolvimento do futebol nos países pobres, como o "Gol", pelo qual as federações recebem 250.000 dólares anuais da Fifa, convenceram sem dúvida muitos dos votantes, temerosos talvez de uma nova ordem. Hayatou, em seu discurso final, tentou aproximar-se dos países pequenos, que em sua maioria iam votar em Blatter, assegurando-lhes que seriam potencializadas as co-organizações de Mundiais, como o de 2002 na Coréia do Sul e Japão, "para que países pequenos tenham mais acesso a grandes eventos", disse, assegurando que pretendia "fortalecer o programa Gol".

Mas a sorte estava lançada em favor de Blatter, que teve de suportar uma difícil campanha eleitoral. Primeiro teve de fazer frente a uma auditoria interna que afirma que a Fifa teve um déficit de 470 milhões de francos suíços nos últimos quatro anos e que ele mesmo dissolveu por "faltar à confidencialidade", embora no congresso desta quarta-feira tenha anunciado que reiniciará seus trabalhos depois da Copa do Mundo.

Em seguida, seu secretário geral e compatriota, Michel Zen-Ruffinen, apresentou um informe no qual insistia em supostas irregularidades e corrupção por parte do presidente, o que levou a uma denúncia ante os tribunais suíços contra Blatter por suposto desvio de recursos. Outro dos momentos difíceis foi com a falência do sócio da Fifa na mercadotecnia, ISL, o que produziu a criação de uma empresa própria subordinada à entidade. A crise, no final, temrinou com um prejuízo de 39 milhões de francos suíços, segundo Blatter, o que seus opositores contestam.

Relação dos presidentes da Fifa até a reeleição esta quarta-feira de Joseph Blatter:

- Robert Guerin (França) 1904-06

- Daniel Burley Woolfall (Inglaterra) 1906-18

- Jules Rimet (França) 1921-54

- Rodolphe William Seeldrayers (Bélgica) 1954-55

- Arthur Drewry (Inglaterra) 1955-61

- Sir Stanley Rous (Inglaterra) 1961-74

- João Havelange (Brasil) 1974-98

- Sepp Blatter (Suíça) (desde 1998)